sábado, 3 de maio de 2008

O zero notável

Em uma terra engraçada, onde árvores têm raízes quadradas e em meio a tantos naturais, inteiros, racionais ou não, vivia ele, o número Zero. Jovem, sempre muito discreto, quase nunca notado, o zero fazia com que os outros tantos números, meninos ou meninas, não percebessem a insatisfação que o tomava.
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Meninos ou meninas porque, na verdade, os números pares, com exceção do zero e do oito, que são rapazes, são todos do sexo feminino; assim como os números ímpares, com exceção do nove, porque eu nunca soube, na verdade, qual era a dele, são todos do sexo masculino. Mas este não é o real foco desta saga.
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O fato é que o zero morava em sua humilde casinha de parede de lápis, chão de borracha e teto de tabuada, localizada no Conjunto Universo, o que fazia dele um alvo constante de piadas por parte dos moradores, uma vez que as regras estavam claras e bem escritas naquela placa feita de régua que ficava no início da avenida principal com a seguinte inscrição: neste conjunto o denominador nunca pode ser zero.
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Pelas redondezas do Conjunto Universo havia um trio de playboys, composto pelos bonitos, mas nada educados, rapazes um, sete e um, que não perdiam uma oportunidade sequer de chatear o coitado do zero. Era um tal de “vamos dar uma voltinha” para cá, “vamos dar uma voltinha” para lá e essa situação toda se agravou ainda mais quando o zero resolveu militar na esquerda, afinal, o que poderia ser mais desprezível ou sem valor que um zero à esquerda?
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Nunca entendi direito essa história toda de “casal vinte”, mas fiquei imaginando, nesta situação, o dito romance e uma belíssima senhorita número dois a comunicar seu pai sobre seu namoro com o aqui descrito zero. “Quem? O zero? Aquele esquerdistazinho de meia tigela? Mas não mesmo, minha filha! Diga a esse rapaz que se ele for para a direita e de quebra conseguir uns parentes que o siga, a gente pode até conver$ar.”
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E aquela conversa toda já ganhava tons de sermão por parte daquele grande e robusto pai número oito, que só não era maior porque não se consegue escrever números em caixa alta. “Por enquanto, para mim e para todos os outros números por aqui, o zero não passa de um zé-ninguém! E além do mais, minha filha, ele é gordinho! Suspeito que você esteja andando com essas letrinhas ‘i’ em itálico, tem tomado atitudes que lhe fazem parecer um número complexo!”
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Como poderia então ser o zero um produto notável se, ao ser multiplicado por ele mesmo, punha em cheque qualquer tentativa de cálculo do quadrado da soma de dois termos? A resposta estaria ainda no campo dos símbolos, mas dessa vez, na esfera literária.
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E foi assim que o zero tomou a mais radical de suas atitudes: subiu no topo de um triângulo isóscele, atirou-se do alto e da luta não se retirou, negando assim sua própria classe enquanto número. Seguiu então para o alfabeto e foi viver todos os demais e infinitos dias de sua vida com o notável título de letra “o”. Sendo assim, necessito fazer com que todos saibam que a letra “o” não é uma letra, mas sim um número, na verdade, um zero liberto e feliz, e que rosquinhas são deliciosas homenagens a essa história de luta.

19 comentários:

Davi Gentilli disse...

o zero é bem sofrido mesmo. Para os romanos, ele sequer existe.

lembrei da edição número 100 da revistinha do Cebolinha (ou será do Cascão?). Na historinha dessa revista, o número 100 deixa de existir,porque o "1" brigou com o "00"

Dama de Cinzas disse...

O máximo esse post! Vc tem a capacidade de pegar algo que jamais seria uma assunto e transformá-lo em algo muito interessante! Isso é talento!

E que o zero continue sendo feliz como letra, porque é aquilo, se não tá dando certo de um jeito tem que se encontrar outro, na vida é assim...eheh

Beijos

Storyofprincess disse...

Oii.
Belezinha?!
Interessante o texto.
gostei (y)
bjss... :')

. Budz . disse...

"'modo grosseiro, ignóbil e bruto de ser' seja somente um charme. rs."

Charme é??? hummmm ;*

paz aew moça!

PS.: sem comentários para o novo texto, ele fala por si só!

vinicios k. ribeiro disse...

lindo o texto!
forma alegre e ritmada de escrever, imaginar, sentir!
fiquei com peninha do zero, tadinho! rsrs
bjos querida e até na proxima capital que nos juntar

Rafaela disse...

tu realmente nao eh desse mundo.
adoro teus posts.

Bianca Rieth disse...

“números, números, o que é, o que são,
O que dizem sobre você”


muito criativo e interessante este post, parabéns guria!!


P.S: tu deves conhecer Porto Alegre, né? sempre quando coloco algo relacionado, tu comenta as saudades daqui..


beijos

Nathália disse...

Hmmmm! Rosquinhas!
Eu acho o zero um número lindo, afinal, ele é tão moderno, sem aquelas quinas pontudas. É gordinho. Óun!

E, cara, rosquinhas!!! Rsrs

Beijo!

3ernard disse...

Post legal,
supreendente o modo que escreves, tem ideias interesantes e bem legais!!

gato de Schrödinger disse...

Essa historinha matemática absolutamente encantadora surpreendeu este felino metafísico de uma maneira muito positiva. Quem diria que o Zero, esta figura encantadora, abdicara de sua condição de número para se tornar uma letra? De "nada", passou a algo definido, um artigo definido. Realmente, uma "sacada" muito boa.

Agora, cá entre nós, minha teoria "zerista" sempre foi um pouco diferente. Nunca imaginei o Zero, assim, de uma forma muito amigável. Não... Pra mim, ele sempre foi mais do tipo misterioso, enigmático, um número que punha toda a matemática em risco - e que escondia todo o segredo por trás dos números. Com seu velho amigo de sempre, o Um, ele havia originado todo o universo dos números reais - e, com uma ajudinha do Izinho, também dos complexos.

Mas essa idéia do Zero como um complexado número, gordinho, fugindo de sua posição "esquerdista", também me agradou bastante. Terei novos olhos para ele de hoje em diante.

Beijo, moça. Até mais.

dane_ly disse...

miliiinhaa!
de onde é que tu tira isso hiem!? rsrs
muito perfeito!
daqui um ano junta isso tudo e publica um livro! rs
Xêruuu!
saudades!

Andrea disse...

Muito bom,Camila. NO SÉRIO. daria um livro facinho.

que tal?

bjo.

Sara Marinho disse...

"Depois do grande sucesso como a letrinha O, o 0 tornou-se elemento interessante nos cheques tão desejados... e todos só comentavam "Nossa, quantos zeros têm aqui, e como são bonitos". Eis que o homem inventou a roda e sua primeira frase foi: Oooo... agora estou zerado!"


Tu escreves muito bem Camilovizki... esse conto do 0 me deixou abismada com teu talento. Parabéns. Acho que precisamos nos juntar, vamos escrever bons livros infantis hahahahahahaha

Beto Corpin disse...

Muito bem!
O que posso dizer...
Não sei...
Não vou dizer nada.
Nada = Conjunto vazio.
Conjunto vazio = 0.
É! Isso basta!
Basta?
Acho que sim.

BETOcas!

PS. Zine colorido?! Perfeito!

Anônimo disse...

Camila...
Depois só quero um tubo desse mesminho ai que tu cheirou viu?!
Ou tu cheirou tudo fazendo esse texto e no show de Nando Reis?
Sem noção 1!
mto bom viu! ;)

Abs,
Sem noção 2

Leo Maia disse...

Dessa vez não vou fazer comentários tolos, posso parecer muito tolo. Entende? Nunca fui bom de geografia.Vou me reduzir à apenas elogiar.

Muito massa camilinha,adorei (odeio falar essa palavra, mas enfim...) essa postagem, ficou profissional.

Tenho orgulho de ti minha irmão por brotamento, acho que eu já tinha esquecido esse nosso laço familiar.

Mary West disse...

Deixo de ficar na eskerda e agoura está rebelde. Agora tem q vê se a primeira naum era essencia dele mesmo, quem nasceu torno naum fica reto por muito tempo e vice versa.

PS: Mermã! Agoura q olhando a sua foto nova já sei quem tu és! Oiieeeeeeeee! Eu trabalho na Futura e vc é a menina q viaja neah ? :D

Storyofprincess disse...

Oii
rs rs rs
pois é
temos que fazer isso mesmo, afinal como todos dizem 'os jovens são o futuro do planeta'
mais é a pura verdade;
dá pra ser ecologica, ficar bem assim, mais sem ser chata!
bjss !

Tayago disse...

Nossa ...
Nem sei o que dizer sobre essa rotina do Zero ...
Que dirá do seu disfarçe ...
Textos maravilhosos que me fazem sonhar com um mundo melhor.
Pena que o zero teve que se transformar para continuar a sua luta.
Será que isso deva acontecer com todos nós ?! Daqui a algum momento deixaremos de ser estudantes e como o zero iremos lutar por outras bandas... os encontros se tornarão lembranças em nossas vidas e memórias.
Mas mesmo assim ... as rosquinhas são deliciosas para se comer durante uma conversa virtual de madrugada ... E que ela possa nos lembrar de nossa luta.

 
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