quarta-feira, 13 de junho de 2012

Esquerda Zine

Diego Pires entrevista Camila Chaves para o Ponto Continuando. Se preferir, acesse o conteúdo diretamente no blog clicando aqui.

Qual a razão do título: Zine Colorido?
Quando entrei na Universidade para cursar Comunicação, em 2005, me deparei com uma série de materiais que circulavam alternativamente por aquele espaço. Alguns, assumidamente mais politizados; outros, falavam sobre temas bastante variados. Assim eu ia descobrindo, pouco a pouco os fanzines. Textos, imagens, colagens. Reflexões, incômodos, vertigens. “Vertigens” era um fanzine produzido por Elen Mateus, na época estudante de Relações Públicas, e um dos que eu mais gostava. Um dia quis presentear Elen com algo que para mim fosse significativo do carinho e da admiração que eu tinha por ela. Escrevi um texto, selecionei imagens, fiz recortes e colei tudo em uma folha de papel.

Teoricamente, para que fosse realmente um fanzine, eu precisaria copiá-lo, distribuí-lo, fazê-lo circular, mas aquelas cores todas juntas me fizeram decidir que aquele material deveria ser mesmo colorido e consequentemente único. Assim nascia o que eu chamei de “zine colorido”. Gostei do nome e mesmo não sendo o blog em “fanzine”, resolvi que ele se chamaria desse modo. Posso dizer então que, embora não seja um fanzine, o “zine colorido” reúne consigo as características de um fanzine: ele é assumidamente politizado, ele fala sobre vários temas e como está em creative commons, pode ser copiado e consequentemente circular livremente.

Quando li alguns do seus  posts, indicados por você mesmo pelo chat do facebook, pois era  “os que mais gostava”, senti uma dose de ingenuidade, algo brando, leve e até onírico e com um humor particular. Camila, você faz isso (in)conscientemente? Pergunto isso, pois trata de assuntos tão “sérios” (quero dizer se faz in ou conscientemente não sei se usei o parentese corretamente... risos)

Engraçado que hoje poucas pessoas utilizam a palavra “ingenuidade” no sentido como, de início, tu utilizaste. A palavra “ingenuidade” vem na maioria das vezes associada a uma não intencionalidade ou mesmo a uma ação que se dá de modo inconsciente, quase nunca relativo à “leveza” ou aos “sonhos”. Para evitar confusões, então, eu direi que meus textos são leves e expressam sonhos que são materialmente, não só possíveis de acontecer, mas necessários, como a revolução, por exemplo. E faço tudo isso de modo muito consciente.

Posso dizer que foi me expressando assim – falando do cotidiano de forma leve e com essa pitada de humor – que consegui fazer com que muitas pessoas que de certo modo não se sentiam afetados pela política ou mesmo expressavam em relação a isso uma rejeição, passassem a refletir sobre uma série de questões que, como Bretch dizia, assim como “o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio”, também dependem das decisões políticas. Então posso reafirmar isso e dizer que o modo como escrevo é, também, política, ou a forma como encontrei para expressá-la.


No post Microondas casamenteiras você narra o casamento de dois jovens num assentamento no “interior” de Minas Gerais e o DETALHE é que vieram da cidade e decidiram morar no campo. O absurdo e humor da estória é um “bem de consumo durável” (um forno microondas) presenteado por uma “tia pra lá de chic” da cidade e inócuo pra vida do jovem casal no campo. E você chega a uma conclusão que aquilo sim é um “suicídio de classe”. Dois jovens seguir outro “rumo”. Você cometeria esse “suicídio”?

Se pensarmos que o que define a classe social de alguém é o lugar que este alguém ocupa na divisão do trabalho, posso dizer que, não só pela identificação, mas por não ser detentora dos meios de produção, por não dispor de nada mais que minha própria força de trabalho, eu, assim como meus familiares, pertencemos à classe trabalhadora. Deste modo, eu não precisaria cometer um “suicídio de classe”.

A história sobre o jovem casal é real e fala sobre uma vivência que tive no início de 2008. Ela foi importante para minha formação, mas hoje penso de modo diferente sobre algumas questões quando olho para ela. Não podemos deixar de considerar como belo o ato dos dois em se identificar com a classe e querer viver como ela. Porém, hoje eu reflito que o texto passa uma ideia que não mais tenho acordo: que é essa que, de um certo modo, funciona como um “elogio à pobreza”.

Nós lutamos, cada um a nosso modo, não para que todos os homens e mulheres vivam de forma partilhada uma vida inteira de escassez. Nós lutamos para que possamos todos viver e partilharmos, juntos, toda riqueza que é produzida, porque ela, assim como a terra e os modos de produção que movem a economia e a cultura, estão concentrados. Assim posso dizer que está concentrada também toda possibilidade de vida e é contra essa concentração que nós lutamos. É pela vida que lutamos.


Obs: Depos pelo chat do Face conversei com Camilinha e disse a ela quanto a cometer “o suicídio” quis dizer se ela deixaria a “cidade” pra viver no “campo”. Então Ela Reformulou a resposta. Aqui vai:

Sobre se eu deixaria a cidade para viver no campo, te digo com sinceridade que dependeria de muitas questões. Eu viveria no campo desde que eu pudesse compreender que o que eu estivesse fazendo ali não se tratasse de algo isolado, mas estivesse associado a uma estratégia maior. Eu gosto do campo, me identifico com o campesinato e reconheço toda sua potência. Porém, não romantizo o espaço. Há muitos conflitos no campo. Para além das disputas pela terra, há também a terra como um palco de muitas disputas. Em um primeiro momento, se expulsam populações inteiras do campo para a cidade. Agora, a cidade não é mais o lugar permitido a uma multidão de pessoas que não têm alternativas senão a de voltar ao campo. E, entendendo que hoje esse espaço necessita de muito mais condições para que possa permitir uma vida prazerosa, uma vida digna – como muitos acreditam que seja –, é difícil dizer para um trabalhador desempregado e sem teto na cidade que ele deve ser feliz por ter uma casa no campo, quando tudo o que ele queria era poder viver na cidade, era ter seu direito à cidade, assim como tantos outros, garantido.


No post Pecado você expõe a questão da RELIGIÃO com suas proibições e sentimentos de culpa e uma série de “neuras” que causam ou podem causar no individuo e no coletivo. Você opta por não aceitá-la e ter uma visão da realidade cientifica assim independente dela e até rir, olha só que heresia...risos.  E faz sua leitura particular de espiritualidade. Queria que falasse mais SOBRE ISSO num país católico e com igrejas protestantes aflorando como capim.

O modo como falarei sobre essa questão de certa forma complementa o que eu falava na questão anterior. Começarei lembrando um episódio que é também explicativo de todo o meu descontentamento com as mídias hegemônicas que, conforme sabemos, servem para formar nas pessoas uma série de ideologias que servirão, no final das contas, para manter as coisas do jeitinho como elas estão. Afinal de contas, as mudanças, as verdadeiras mudanças, essas são muito ameaçadoras.

Aconteceu assim: um dia desses, em um fim de domingo, eu assistia a TV. Na tela passava uma matéria que falava sobre a vida de São Francisco de Assis e os presépios vivos. Foi ele, antes de ser considerado santo, quem criou, há cerca de 800 anos, o primeiro presépio nas montanhas de Greccio, na Itália. Contava a TV que desde ali a montagem dos presépios vivos havia se tornado uma tradição na região.

Foi então que entrevistaram um casal questionando qual era, em tempos de crise profunda, a atualidade da mensagem do Santo de Assis. “Precisamos viver com mais simplicidade, tentando ser feliz com o que se tem”, foi essa a resposta do casal. Ora, para além da renúncia aos bens materiais ou do voto de pobreza, a história de luta de Francisco de Assis tem muito mais a ver com resistência e libertação que com essa ideia absurda de conformismo. Tu percebes como está tudo muito relacionado? Se utilizam de muitas coisas, inclusive da religião, para fazer crer a toda gente que a sociedade deve permanecer do modo como está, quando o que a gente precisa mesmo é de grandes mudanças.


“Hoje somos verdadeiramente felizes”. Termina assim o post O passado que contarei. O ultimo post q li e me fez repensar a segunda pergunta, pois tem raiva, um grito desgraçado de indignação. Na verdade; um passado que ainda é presente... O que faz pra sublimar essa raiva e continuar verdadeiramente feliz?

Bom, esse texto eu escrevi em outubro de 2010, após o resultado das eleições que levaram, ainda no primeiro turno, Roseana Sarney ao governo do estado. Esse resultado para mim foi uma grande pancada! Não porque eu acreditasse que seria por meio das eleições burguesas que alguma transformação de fato aconteceria. Não, mesmo! Mas foi uma grande derrota porque havia sido um processo muito importante de diálogo com a sociedade. Foram muitas candidaturas e algumas delas expressavam, de modo claro, muitas críticas e denúncias ao que a oligarquia Sarney representa para o estado. No dia seguinte ao resultado das eleições, sinceramente falando, a sensação que tive foi a de andar por uma São Luís em luto. Era uma cidade muito triste, sem cor, eu diria até. E era essa tristeza que de certa forma eu sentia.

Essa tristeza crescia ainda mais por uma série de questões que eu cito ao longo do texto, foi então que decidi escrever algo que pudesse expressar minha angústia e, ao mesmo tempo, o meu desejo de como eu desejo e acredito que as coisas podem ser. Quando digo “hoje somos verdadeiramente felizes”, não é do presente que eu digo. O texto se passa no tempo futuro. Ele conta, no tempo futuro, uma série de episódios que vivemos agora e fala quão importantes eles foram (ou serão) para desencadear um processo verdadeiramente transformador, uma revolução. Como falei, não tenho isso somente como um sonho, mas como uma possibilidade real e acredito que é exatamente isso o que me faz acreditar na felicidade. Em outras palavras, acreditar que um dia nós poderemos ser verdadeiramente felizes é o que me põe em movimento e deste modo ser feliz.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Banho de mar

Naquele fim de manhã, ao ligar a nova TV, era de admirar a notícia que se ouvia: - Todas as praias da orla desta ilha estão próprias para o banho!

Passado todo o tempo que antes havia sido perdido ou mesmo roubado, não havia espaço para repetições ou meras confirmações. A conjuntura era outra e a essas alturas, o enquadramento da câmera – derrubada no chão devido à tamanha comoção daquele cinegrafista – registrava somente o corre-corre dos pés aflitos em direção à porta mais próxima de saída.

A jornalista abandonou a bancada e nas salas das casas já não havia mais ninguém a assistir o jornal. Eram ganhas as ruas. Bikes, motocicletas, caminhadas coletivas, caronas solidárias, catracas livres: tudo valia para chegar o mais rápido possível a qualquer que fosse a praia. Não havia preparo de farofa, troca de roupa ou procura de boias e brinquedos que fizesse esperar.

Na praia, o mar estava cheio de outras vidas, mas seguia no aguardo da chegada de um punhado de outras mais. No horizonte, se via gente aos pulos de barcos, rebocadores, navios; no céu, o colorido de pipas, papagaios e balões soltos pelo vendedor pregoeiro em sua molhada cantoria; e na extensão de areia, eram centenas daqueles que pareciam infinitos isopores de picolés, carrinhos de água de côco gelada e banquinhas de mídias pirateadas.

Eu, que amei, reivindiquei e tantas vezes mergulhei amores, causas e mares que a TV e outros gigantes por tempos disseram ser probidos, naquele mesmo dia sentei na areia e assisti de lá toda euforia: houve gente que não se incomodasse com o sal que nos olhos ardia; que sorrisse com o caldo que da onda tomasse; ou que se afogasse porque na correria não lembrasse que nadar não sabia.

Mas era tempo de mergulhar no mar. Tempo de festejar a alegria.

Crônica em resposta à matéria divulgada ontem pela TV Mirante.

segunda-feira, 21 de março de 2011

A cronista e o poeta

Para Camila Cutrim

Quando a cronista se encantou com o poeta, a literatura experimentou uma agridoce confusão. Do dito pelo não dito, aos dois valia muito mais o que se podia com palavras escrever: textos, canções, correspondências. As da cronista, críticas cotidianas. As do poeta, caos de sentimentos.

As palavras, porém, mesmo sendo muitas, não se furtavam do risco da escassez, posto que declarar-se a um poeta não era a mais fácil entre todas as tarefas. À cronista, o passar dele era sinônimo de um silêncio faminto e devorador de um prato farto de adjetivos, substantivos, verbos e outros artigos.

Quando o poeta surgia, era ele o charme e o amor em pessoa sendo cobiçados por mais da metade de um mundo de tantas outras meninas que sequer percebiam que seu coração ia ficando amarelo de tanto que não respondia, porque mais fortes que isso eram os sonhos e vontades de todas elas de serem letra e música em uma das composições únicas do poeta: poesias.

Para a cronista, estavam postos o medo e a condição de não querer ser qualquer um e com isso a recusa de ter coisa qualquer por escrever. Queria desejar-lhe uma pedra, uma palavra, um sentimento, uma flor. O problema estava justo na certeza que ela tinha de que tudo o que escrevia ia transformando-se, palavra por palavra, em coisa ridícula.

Sabes, meu caro amigo poeta, como se tudo fosse carta de amor.

Cronista e poeta têm uma caixa de palavras intensas que guardam e carregam consigo para onde quer que possam ir. Ali há letras tão vivas que, ao abraçar qualquer um dos dois, é possível senti-las pulsar. São sinais. Um braço, dois braços, um abraço: o suficiente para fazer entender que, entre cronista e poeta, paixões são rascunhos de amores literais.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Pecado

Aceitei Jesus e voltei para casa com um peso imenso na consciência.

Eu só queria brincar, juro. Mas os danados dos meus coleguinhas tinham mesmo umas manias bestas para escolher divertimento, de modo que, se nas noites anteriores preferiram assistir às Chiquititas a brincar de rouba bandeira, naquele dia simplesmente decidiram que deveríamos fazer parte do grupo de adultos que se animavam em frente à casa do Juninho.

Acontecia que, de tempos em tempos, os pais do Juninho organizavam lá na rua atividades da igreja da qual faziam parte. Até que as coisas eram animadas, reconheço: tinha música, cantos, palmas, histórias e às vezes até lanche! Mas confesso que quanto mais perto chegava do fim, mais alegre eu ficava, porque então poderia correr, gritar, brincar de roubar e fazer o que mais desse em minha cuca de lelé.

Ledo engano.

Ao final, todas as pessoas que haviam participado daquele ritual pela primeira vez, inclusive nós, pobres e indefesas crianças, fomos convidados a ir à frente e responder, um a um, ao questionamento que encerraria aquela noite: – Você aceita Jesus? – Meu Deus do céu, como poderia eu ou qualquer outra pessoa recusar Jesus ali diante de todos aqueles olhos? – Sim...

Aquele episódio dava início a uma longa madrugada em claro. Era verdadeiramente um drama, porque eu era consciente que o que eu dissera não fora ao meu amigo Jesus, mas sim àquela igreja que, por sinal, não era a mesma Católica Apostólica Romana que ditava as regras que serviam de base à educação e às formas de ver o mundo que minha família me impunha.

Demorei, mas superei. Ninguém nunca soube, mas a ideia do pecado simplesmente me seguia, perseguia, curtia. Se havia um lugar onde eu não poderia tossir, eu sabia que esse lugar era a igreja, porque tossir na missa era pecado, assim como era pecado falar, escrever ou pensar na palavra “bunda”, não só na igreja, mas em qualquer que fosse o lugar.

Era confuso. Praticamente tudo era pecado. Não amar era pecado. Mas, amar, dependendo de quem fosse, poderia ser pecado, também. Era pecado pensar nas contradições da Igreja que estavam inclusive nas falas do padre: – Eu tenho certeza, mamãe. Ele disse: ‘Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz’, e depois, no mesmo dia, sem nem demorar muito, ele ordenou ao cordeiro de Deus: ‘dai-nos a paz!’. Não foi a senhora quem me falou que era feio dar e depois pedir de volta?

Mas não adiantava. Quando não eram as contradições, eram as besteiras. Eu até ia muito bem, mas bastava que a banda tocasse “Meu coração é para ti, Senhor!”, que eu, que não tinha carro nem nada e que no máximo passeava na Belina de Tia Helena, me danava a pensar na Parati, aquele carro bonito da mãe da Bruninha. E “Meu coração é PARATI, Senhor!” me fazia novamente pensar que aquilo era pecado.

Talvez fosse.

O fato era que desde ali eu percebia o quanto a religião, que deveria ser assunto de caráter privado, nos dividia e interferia em nossa vida em coletividade, impondo regras, medos, tabus. Optei por não querer. Hoje tenho a ideia de um Cristo em quem acredito, leio sobre santos, santas, deuses e deusas e tenho uma concepção de espiritualidade que não me impede de ver a realidade de forma científica e que, principalmente, me permite arrancar dos conflitos de outrora boas oportunidades para o riso. Me faz sentir bem.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ao sabor desta fatia

"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.” (Drummond)

Do momento exato em que puseram em minhas mãos este pedaço recém saído do forno até aqui, foram muitos os acontecimentos. Foi tempo de amar, de abraçar, de ter companhia. Tempo de mapa, estrada, dúvidas e alegrias. Tempo de teatro, de trabalho e de paixão pela literatura. Tempo de consequencias dos erros, de sentimento de culpa, de ledos enganos. Tempo de perceber-se humano. Tempo de pedir desculpas. Tempo de postar cartas. Tempo de fronteiras, de abraços, de separações. Tempo de sentir. Tempo de querer sumir. Tempo de fugir. Tempo de tirar cartas, de gostar do frio, de partilhar planos e exercer a ousadia. Tempo de não-vitórias. Tempo de voltar para casa. Tempo de recomeçar. Tempo de apaixonar-se. Tempo de reapaixonar-se. Tempo de conversar. Tempo de sorrir, de fazer malabarismos, de criar. Tempo de compreender. Tempo de intervir. Tempo de Rede. Tempo de ser reconhecido. Tempo de conhecer. Tempo de subverter. Tempo de lutar. Tempo de se organizar. Tempo de tomar partido. Tempo de críticas, crônicas e poesias. Tempo de silêncios, vazios e despedidas. De Magno Cruz. De José Saramago. De pessoas, familiares, amigos, camaradas. Tempo de comunidades. Tempo de periferias. Tempo de angústia, descontentamento, indignação. Tempo de derrotas, de injustiças, de opressões. Tempo que nos deixa no peito a necessidade de plantarmos novas revoluções. Tempo que agora projeta transformações para tempos futuros. A mudança de cidade. O mestrado em Comunicação. A distância da família, dos meus cães, meus amigos. Os laços a serem (re)construídos. Inquietações, dúvidas e descobertas: as metamorfoses cotidianas de minha própria vida.

Caixas, planos, saudades, partidas: estes serão os sabores do primeiro pedaço de minha nova fatia.
 
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