Em uma terra engraçada, onde árvores têm raízes quadradas e em meio a tantos naturais, inteiros, racionais ou não, vivia ele, o número Zero. Jovem, sempre muito discreto, quase nunca notado, o zero fazia com que os outros tantos números, meninos ou meninas, não percebessem a insatisfação que o tomava.
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Meninos ou meninas porque, na verdade, os números pares, com exceção do zero e do oito, que são rapazes, são todos do sexo feminino; assim como os números ímpares, com exceção do nove, porque eu nunca soube, na verdade, qual era a dele, são todos do sexo masculino. Mas este não é o real foco desta saga.
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O fato é que o zero morava em sua humilde casinha de parede de lápis, chão de borracha e teto de tabuada, localizada no Conjunto Universo, o que fazia dele um alvo constante de piadas por parte dos moradores, uma vez que as regras estavam claras e bem escritas naquela placa feita de régua que ficava no início da avenida principal com a seguinte inscrição: neste conjunto o denominador nunca pode ser zero.
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Pelas redondezas do Conjunto Universo havia um trio de playboys, composto pelos bonitos, mas nada educados, rapazes um, sete e um, que não perdiam uma oportunidade sequer de chatear o coitado do zero. Era um tal de “vamos dar uma voltinha” para cá, “vamos dar uma voltinha” para lá e essa situação toda se agravou ainda mais quando o zero resolveu militar na esquerda, afinal, o que poderia ser mais desprezível ou sem valor que um zero à esquerda?
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Nunca entendi direito essa história toda de “casal vinte”, mas fiquei imaginando, nesta situação, o dito romance e uma belíssima senhorita número dois a comunicar seu pai sobre seu namoro com o aqui descrito zero. “Quem? O zero? Aquele esquerdistazinho de meia tigela? Mas não mesmo, minha filha! Diga a esse rapaz que se ele for para a direita e de quebra conseguir uns parentes que o siga, a gente pode até conver$ar.”
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E aquela conversa toda já ganhava tons de sermão por parte daquele grande e robusto pai número oito, que só não era maior porque não se consegue escrever números em caixa alta. “Por enquanto, para mim e para todos os outros números por aqui, o zero não passa de um zé-ninguém! E além do mais, minha filha, ele é gordinho! Suspeito que você esteja andando com essas letrinhas ‘i’ em itálico, tem tomado atitudes que lhe fazem parecer um número complexo!”
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Como poderia então ser o zero um produto notável se, ao ser multiplicado por ele mesmo, punha em cheque qualquer tentativa de cálculo do quadrado da soma de dois termos? A resposta estaria ainda no campo dos símbolos, mas dessa vez, na esfera literária.
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E foi assim que o zero tomou a mais radical de suas atitudes: subiu no topo de um triângulo isóscele, atirou-se do alto e da luta não se retirou, negando assim sua própria classe enquanto número. Seguiu então para o alfabeto e foi viver todos os demais e infinitos dias de sua vida com o notável título de letra “o”. Sendo assim, necessito fazer com que todos saibam que a letra “o” não é uma letra, mas sim um número, na verdade, um zero liberto e feliz, e que rosquinhas são deliciosas homenagens a essa história de luta.
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Meninos ou meninas porque, na verdade, os números pares, com exceção do zero e do oito, que são rapazes, são todos do sexo feminino; assim como os números ímpares, com exceção do nove, porque eu nunca soube, na verdade, qual era a dele, são todos do sexo masculino. Mas este não é o real foco desta saga.
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O fato é que o zero morava em sua humilde casinha de parede de lápis, chão de borracha e teto de tabuada, localizada no Conjunto Universo, o que fazia dele um alvo constante de piadas por parte dos moradores, uma vez que as regras estavam claras e bem escritas naquela placa feita de régua que ficava no início da avenida principal com a seguinte inscrição: neste conjunto o denominador nunca pode ser zero.
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Pelas redondezas do Conjunto Universo havia um trio de playboys, composto pelos bonitos, mas nada educados, rapazes um, sete e um, que não perdiam uma oportunidade sequer de chatear o coitado do zero. Era um tal de “vamos dar uma voltinha” para cá, “vamos dar uma voltinha” para lá e essa situação toda se agravou ainda mais quando o zero resolveu militar na esquerda, afinal, o que poderia ser mais desprezível ou sem valor que um zero à esquerda?
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Nunca entendi direito essa história toda de “casal vinte”, mas fiquei imaginando, nesta situação, o dito romance e uma belíssima senhorita número dois a comunicar seu pai sobre seu namoro com o aqui descrito zero. “Quem? O zero? Aquele esquerdistazinho de meia tigela? Mas não mesmo, minha filha! Diga a esse rapaz que se ele for para a direita e de quebra conseguir uns parentes que o siga, a gente pode até conver$ar.”
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E aquela conversa toda já ganhava tons de sermão por parte daquele grande e robusto pai número oito, que só não era maior porque não se consegue escrever números em caixa alta. “Por enquanto, para mim e para todos os outros números por aqui, o zero não passa de um zé-ninguém! E além do mais, minha filha, ele é gordinho! Suspeito que você esteja andando com essas letrinhas ‘i’ em itálico, tem tomado atitudes que lhe fazem parecer um número complexo!”
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Como poderia então ser o zero um produto notável se, ao ser multiplicado por ele mesmo, punha em cheque qualquer tentativa de cálculo do quadrado da soma de dois termos? A resposta estaria ainda no campo dos símbolos, mas dessa vez, na esfera literária.
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E foi assim que o zero tomou a mais radical de suas atitudes: subiu no topo de um triângulo isóscele, atirou-se do alto e da luta não se retirou, negando assim sua própria classe enquanto número. Seguiu então para o alfabeto e foi viver todos os demais e infinitos dias de sua vida com o notável título de letra “o”. Sendo assim, necessito fazer com que todos saibam que a letra “o” não é uma letra, mas sim um número, na verdade, um zero liberto e feliz, e que rosquinhas são deliciosas homenagens a essa história de luta.

