Desde a época da escola me recordo de ouvir meu professor de História dizer que “uma mentira dita dez vezes torna-se verdade”. Talvez isso nem fosse mesmo uma verdade, mas o fato é que ele falou isso tantas vezes e em tantas aulas que acabei internalizando esta teoria. A impressão que eu tinha era que não importava sobre o que ele falasse, se o sistema feudal entrava em crise, se a segunda grande guerra estourava ou mesmo se um branco na mente lhe ocorria, lá estava ela: a frase da verdade, ou da mentira, como preferirem..
Peraí! Peraí! Como é que é a história, rapaz? Quer dizer que se eu disser uma mentira dez vezes levo a crer a quem a ouve que ela é a mais pura verdade? Bom, eu diria que o número dez, nesse caso, é meramente simbólico. E diria também que não somente uma mentira quando dita, mas qualquer coisa que seja exaustivamente repetida. Se realmente vira verdade ou não, isso é discutível, mas que gruda no cérebro, gruda. Ou que outra explicação posso dar à letras como a do “créu”, “piriguéti”, entre tantas outras coisas que não nos saem da mente?
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E foi assim que voltei da minha última viagem, disposta a assumir a identidade de um bolinho de arroz. Confesso que acordar, tomar café, almoçar, jantar, conhecer pessoas, interagir com elas, participar de espaços de formação, ir às festas, voltar “para casa” e dormir ao som de “Eu sou um bolinho de arroz/Minhas perninhas vieram bem depois/Os meus bracinhos ainda estão por vir/E eu não tenho boquinha pra sorrir/Por que? Por que? Por que?/Porque eu sou um bolinho de arroz...” faz qualquer um ter a convicção de que, no mínimo seu eu - lírico é um bolinho de arroz.
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A música é cantada com muita alegria, mas... Alguém saberia dizer por que o bolinho de arroz, mesmo com seus dentes tão branquinhos, não tem boquinha para sorrir? Talvez porque as perninhas tenham demorado para vir, ou porque os bracinhos ainda são inexistentes. Pode até parecer brincadeira, mas isso me fez pensar sobre toda essa discussão que temos visto sobre permitir ou não que pesquisas sejam feitas por meio da utilização de células-tronco embrionárias.
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A Igreja defende sua postura contrária à permissão alegando que pesquisas como estas sejam um atentado à vida. É válido lembrar que ela própria admite que a vida humana anda de mãos dadas com a vida do cérebro, tanto que a doação de órgãos é legítima a partir do momento que se constata morte cerebral. Então, como dizer que pesquisa com embriões são um atentado à vida quando, nas primeiras semanas, não há nem mesmo um sistema nervoso? Onde tem início a vida? Tomás de Aquino opinava que Deus infundia a alma no sexto mês.
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